{"id":1402,"date":"2025-09-24T17:43:47","date_gmt":"2025-09-24T15:43:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/?p=1402"},"modified":"2026-10-18T16:17:54","modified_gmt":"2026-10-18T14:17:54","slug":"quem-e-o-culpado-das-mortes-par-covid-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/2025\/09\/24\/quem-e-o-culpado-das-mortes-par-covid-no-brasil\/","title":{"rendered":"Quem \u00e9 o culpado das mortes par COVID no Brasil ?"},"content":{"rendered":"<div class=\"n4sEPd\">\n<div class=\"QFw9Te BLojaf\">\n<div class=\"hlJJmd\">\n<div><strong>Importante : <\/strong><\/div>\n<blockquote>\n<div>O objeto deste estudo \u00e9 o examinar a validade da hip\u00f3tese afirmando que Bolsonaro seria culpado por tr\u00eas quartos das mortes por COVID. A validade ou n\u00e3o das estrat\u00e9gias de combate defendidas por Jair Bolsonaro n\u00e3o fazem parte da discuss\u00e3o.<\/div>\n<\/blockquote>\n<h2>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<div class=\"D5aOJc Hapztf\">Vemos constantemente afirma\u00e7\u00f5es de que tr\u00eas quartos das mortes por COVID no Brasil poderiam ter sido evitadas e que Bolsonaro \u00e9 respons\u00e1vel por esse n\u00famero alarmante. A fonte desse dado nunca \u00e9 mencionada, apenas a express\u00e3o <em>\u00ab\u00a0segundo especialistas\u00a0\u00bb<\/em>, sem jamais especificar quem s\u00e3o esses <em>\u00ab\u00a0especialistas\u00a0\u00bb<\/em>.<\/div>\n<\/div>\n<p>Assim, \u00e9 necess\u00e1rio encontrar investigar a origem dessa afirma\u00e7\u00e3o, quem s\u00e3o esses especialistas, se a afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 justificada e verdadeira e se Bolsonaro \u00e9 o \u00fanico culpado.<\/p>\n<p>A origem provavel se encontra na se\u00e7\u00e3o de cartas ao editor da revista <a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lancet\/article\/PIIS0140-6736(21)00141-0\/fulltext\"><em>The Lancet<\/em><\/a> [1], enviada por Pedro C. Hallal, um pesquisador epidemiologista brasileiro da Universidade de Pelotas &#8211; RS.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<blockquote><p>Brazil&rsquo;s tragic COVID-19 policy comes with a price. With 211 million people, the Brazilian population represents 2,7% of the world&rsquo;s population. If Brazil accounted for 2,7% of global COVID-19 deaths (ie, performing as the global average in fighting the pandemic), 56\u2008311 people would have died. However, by Jan 21, 2021, 212\u2008893 people have died from COVID-19. In other words, 156\u2008582 lives were lost in the country because of underperformance. Attacking scientists will definitely not help solve the problem.<\/p><\/blockquote>\n<p>Portanto, o autor utiliza uma \u00ab\u00a0regra de tr\u00eas\u00a0\u00bb para estimar o n\u00famero esperado de mortes no Brasil, baseando-se no n\u00famero de \u00f3bitos no mundo inteiro, na popula\u00e7\u00e3o mundial, e na popula\u00e7\u00e3o do Brasil. Assim, ele \u00ab\u00a0afirma\u00a0\u00bb que tr\u00eas quartos das mortes no Brasil (<strong>Excesso de Mortalidade<\/strong>) resultam de um <strong>\u00ab\u00a0desempenho abaixo do esperado\u00a0\u00bb<\/strong>, que ele imputa integralmente a Bolsonaro, sem procurar outras poss\u00edveis causas.<\/p>\n<p>O autor utiliza o par\u00e2metro <strong>Excesso de Mortalidade<\/strong> (EM). Este par\u00e2metro \u00e9 utilizado em epidemiologia em uma an\u00e1lise temporal para detectar inicio, fim e amplitude de um evento ocorrido no mesmo lugar. Para isso faz-se uma compara\u00e7\u00e3o entre a mortalidade em um determinado instante e a que seria antes do evento (referencia ou linha de base) <strong>em uma mesma localidade<\/strong>. Essa utiliza\u00e7\u00e3o exige que todos os outros par\u00e2metros sejam est\u00e1veis. Entretanto a utiliza\u00e7\u00e3o feita aqui \u00e9 ESPACIAL e n\u00e3o TEMPORAL pois o autor compara o que acontece no Brasil com o que acontece no resto do mundo, sem levar em conta as diferen\u00e7as entre os pa\u00edses : agressividade da doen\u00e7a, sua capacidade defensiva (infraestrutura hospitalar, fatores pol\u00edticos etc).<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o espacial da vari\u00e1vel EM pode ser \u00fatil se o objetivo \u00e9 de identificar as diferen\u00e7as entre regi\u00f5es distintas, e exige precau\u00e7\u00f5es que o autor n\u00e3o tomou [2]. Sendo assim, conclui-se que o autor considerou que a \u00fanica diferen\u00e7a entre Brasil e o resto do mundo seria \u00ab\u00a0Jair Bolsonaro\u00a0\u00bb.<\/p>\n<p>Mostraremos, no desenvolvimento \u00e0 seguir, as razoes que fazem com que a analise e afirma\u00e7\u00e3o do autor sejam falsas.<\/p>\n<h2>An\u00e1lise<\/h2>\n<p>O excesso de mortalidade \u00e9 avaliada, por defini\u00e7\u00e3o, pela diferen\u00e7a entre o numero de mortes em um dado momento e o numero de mortes em uma linha de base, considerando que n\u00e3o houve mudan\u00e7as significativas em nenhum dos outros par\u00e2metros.<\/p>\n<p>Temos dois fatores \u00e0 verificar : linha de base excessivamente baixa sobrestima o excesso de mortalidade e a heterogeneidade dos pa\u00edses sendo comparados.<\/p>\n<p>Em 2021, Adrian Mundt j\u00e1 criticava no mesmo jornal [2] [3] indicando falhas no artigo de P. Halial e sugerindo uma compara\u00e7\u00e3o com pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul com taxa de mortalidade semelhantes \u00e0 do Brasil. Benitez [3] apresenta uma compara\u00e7\u00e3o, ainda em 2020, entre cinco pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul : Brasil, Chile, Col\u00f4mbia, Equador e Peru.<\/p>\n<p>Analisamos, nesta se\u00e7\u00e3o, tr\u00eas cen\u00e1rios : estudo de alguns pa\u00edses, segundo a metodologia de P. Hallal, demonstrando a heterogeneidade mundial, uma sele\u00e7\u00e3o de continentes e pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Utilizamos o site <a href=\"https:\/\/www.worldometers.info\/coronavirus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Worldometeres<\/em><\/a>\u00a0 [4] como fonte de dados, cujos resultados s\u00e3o coerentes com os do autor, mesmo se tomados no final da pandemia (2004).<\/p>\n<h3>Cen\u00e1rio 1 &#8211; Compara\u00e7\u00e3o com alguns outros pa\u00edses<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1459 size-full\" src=\"https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Table_1.png\" alt=\"\" width=\"733\" height=\"509\" srcset=\"https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Table_1.png 733w, https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Table_1-300x208.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 733px) 100vw, 733px\" \/><\/p>\n<p>Que observa\u00e7\u00f5es podem ser feitas sobre esta tabela?<\/p>\n<p>As amplitudes de varia\u00e7\u00e3o na \u00faltima coluna indica que o impacto da pandemia est\u00e1 longe de ser uniforme. Do ponto de vista estat\u00edstico, usar simplesmente a m\u00e9dia de dados com varia\u00e7\u00e3o significativa como estimativa n\u00e3o faz sentido.<\/p>\n<p>V\u00e1rios pa\u00edses apresentam resultados semelhantes aos do Brasil: Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Gr\u00e9cia, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, Espanha, R\u00fassia, etc. Seus l\u00edderes podem ser acusados \u200b\u200bde m\u00e1 gest\u00e3o da pandemia ou de atacar a ci\u00eancia, como faz o autor com o Brasil ?<\/p>\n<p>Os dois pa\u00edses mais populosos apresentaram um n\u00famero de mortes muito abaixo da m\u00e9dia, embora juntos representem 35% da popula\u00e7\u00e3o mundial. Esses n\u00fameros muito baixos reduzem a m\u00e9dia de mortes e, consequentemente, aumentam a propor\u00e7\u00e3o de mortes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia.<\/p>\n<h3>Cen\u00e1rio 2 &#8211; Sele\u00e7\u00e3o por continentes<\/h3>\n<p>Nesta se\u00e7\u00e3o estudamos a mortalidade por continente e estimamos o excesso de mortalidade do Brasil, considerando a m\u00e9dia da mortalidade em uma sele\u00e7\u00e3o de continentes.<\/p>\n<p>A tabela 2 apresenta a mortalidade por continente. Observa-se imediatamente que a mortalidade na Asia e na Africa s\u00e3o da ordem de dez vezes menor que nos outros continentes enquanto que nos outros continente elas s\u00e3o de mesma ordem. As causas prov\u00e1veis desta baixa mortalidade s\u00e3o um confinamento estrito (China), sub notifica\u00e7\u00e3o (China e \u00cdndia) e baixa mobilidade (Africa). Estes dois continentes concentram 77% da popula\u00e7\u00e3o mundial mas apenas 26% das mortes.\u00a0 A Oceania, com sua baixa popula\u00e7\u00e3o,\u00a0 contribue muito pouco para a mortalidade mundial.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1461 size-full\" src=\"https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Table_2.png\" alt=\"\" width=\"484\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Table_2.png 484w, https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Table_2-300x146.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 484px) 100vw, 484px\" \/><\/p>\n<p>A mortalidade nos tr\u00eas outros continentes &#8211; Am\u00e9rica do Sul, Am\u00e9rica do Norte e Europa &#8211; \u00e9 de mesma ordem que a do Brasil. Assim, parece interessante utilizar a mortalidade m\u00e9dia nesses tr\u00eas continentes como linha de base para avaliar o excesso de mortalidade no Brasil. Asia e Africa s\u00e3o continentes at\u00edpicos. O resultado aparece na tabela seguinte.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1463 size-full\" src=\"https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Table_3.png\" alt=\"\" width=\"738\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Table_3.png 738w, https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Table_3-300x79.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 738px) 100vw, 738px\" \/><\/p>\n<p>Observa-se que a mortalidade m\u00e9dia desses tr\u00eas continentes sobe de 866,6 mortes por milh\u00e3o de habitantes para 2894 mortes por milh\u00e3o. Neste cen\u00e1rio, o excesso de mortalidade no Brasil desce de 73,7% para apenas 12,4% !<\/p>\n<h3>Cen\u00e1rio 3 &#8211; Am\u00e9rica do Sul<\/h3>\n<p>Nada mais natural que comparar o Brasil com seus vizinhos, supondo existir uma semelhan\u00e7a m\u00ednima. Os resultados se encontram na tabela seguinte.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1465 size-full\" src=\"https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Table_4.png\" alt=\"\" width=\"735\" height=\"448\" srcset=\"https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Table_4.png 735w, https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Table_4-300x183.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 735px) 100vw, 735px\" \/><\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio o excesso de mortalidade desce \u00e0 31.8%. Mas nota-se ainda uma evidente heterogeneidade entre os pa\u00edses.<\/p>\n<p>Para terminar, escolhemos cinco pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul como referencia para avaliar o excesso de mortalidade do Brasil. Estes s\u00e3o os pa\u00edses estudados na publica\u00e7\u00e3o de Benitez [3], que detalha as diferen\u00e7as e semelhan\u00e7as entre estes pa\u00edses do ponto de vista de defesa contra a epidemia. S\u00e3o pa\u00edses cuja mortalidade era de mesma ordem, na data de publica\u00e7\u00e3o, poucos meses apos o inicio da pandemia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1471 size-full\" src=\"https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deaths_6.png\" alt=\"\" width=\"735\" height=\"227\" srcset=\"https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deaths_6.png 735w, https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Deaths_6-300x93.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 735px) 100vw, 735px\" \/><\/p>\n<p>O excesso de mortalidade \u00e9, neste caso, de 23,4%.<\/p>\n<h3>Discuss\u00e3o<\/h3>\n<p>Analisamos quatro situa\u00e7\u00f5es para estimar qual seria o excesso de mortalidade no Brasil e constatamos uma varia\u00e7\u00e3o mais do que significativa nos resultados.<\/p>\n<p>Qualquer que seja a avalia\u00e7\u00e3o, o resultado depende exclusivamente do que se considera como referencia (linha de base). Nenhuma delas \u00e9 correta pois, no fundo, resulta da utiliza\u00e7\u00e3o em um contexto espacial (v\u00e1rios pa\u00edses) do par\u00e2metro \u00ab\u00a0Excesso de Mortalidade\u00a0\u00bb, utilizado normalmente em uma analise temporal em um lugar especifico.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o desta metodologia, com o objetivo do artigo de P. Hallal, s\u00f3 seria valida se for poss\u00edvel identificar e quantificar todas as causas de mortes, as que poderiam ou n\u00e3o serem evitadas. Assim, qualquer avalia\u00e7\u00e3o baseada em uma mortalidade global, \u00e9 pura especula\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Assim, salvo uma defini\u00e7\u00e3o rigorosa, cred\u00edvel e justificada de um valor de taxa de mortalidade de referencia \u00e0 utilizar como referencia, qualquer outra avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 pura especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Algumas causas de mortalidade s\u00e3o mencionadas na se\u00e7\u00e3o seguinte.<\/p>\n<h2><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1520 size-large\" src=\"https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/41598_2025_92403_Fig1_HTML-790x1024.webp\" alt=\"\" width=\"790\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/41598_2025_92403_Fig1_HTML-790x1024.webp 790w, https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/41598_2025_92403_Fig1_HTML-231x300.webp 231w, https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/41598_2025_92403_Fig1_HTML-768x996.webp 768w, https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/41598_2025_92403_Fig1_HTML-1184x1536.webp 1184w, https:\/\/blog.jose-marcio.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/41598_2025_92403_Fig1_HTML.webp 1499w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/h2>\n<h2>Causas de morte<\/h2>\n<p>A primeira causa \u00e9 a \u00ab\u00a0agressividade\u00a0\u00bb da doen\u00e7a : o per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o apos contamina\u00e7\u00e3o e a esperan\u00e7a de vida, per\u00edodos de apenas alguns dias. Citamos tamb\u00e9m os coeficientes R0 e Rt (taxa de reprodu\u00e7\u00e3o do v\u00edrus), que dependem de fatores tais mobilidade e precau\u00e7\u00f5es (distanciamento ou higiene). Mas isto n\u00e3o \u00e9 a causa direta das mortes.<\/p>\n<p><strong>Infraestrutura hospitalar<\/strong> &#8211; Aparecimento repentino de uma doen\u00e7a desconhecida sem que a estrutura hospitalar esteja pronta : numero de leitos, habilita\u00e7\u00e3o de pessoal m\u00e9dico, disponibilidade de insumos&#8230;<\/p>\n<p>O Brasil construiu, em alguns lugares, hospitais de campanha para suprir a falta de leitos em UTI. Nos momentos mais criticos, a Fran\u00e7a pode transferir seus doentes para pa\u00edses vizinhos (Alemanha). Mortes aconteceram por falta de disponibilidade, ou tempo de espera, de leitos em UTI.<\/p>\n<p>O tempo necess\u00e1rio para aquisi\u00e7\u00e3o e disponibiliza\u00e7\u00e3o de insumos tamb\u00e9m pode gerar mortes \u00e0 pessoas que esperam com uma doen\u00e7a com ciclo excessivamente curto. Trata-se de tempos incompress\u00edveis. Um caso interessante \u00e9 o de Manaus quando, durante visita do Ministro da Sa\u00fade, tomou conhecimento da dificuldade de disponibilidade de oxig\u00eanio. Com uma rede de rodovias deficiente, a solu\u00e7\u00e3o foi apelar para a For\u00e7a A\u00e9rea que teve que adaptar avi\u00f5es de carga para transportar botij\u00f5es de oxig\u00eanio.<\/p>\n<p><strong>Ambiente politico<\/strong> &#8211; O Brasil sofre de um ambiente politico excessivamente polarizado onde o a oposi\u00e7\u00e3o (esquerda) tem tendencia \u00e0 contestar, e mesmo judicializar, toda politica ou decis\u00e3o do governo, seja ela certa ou errada. Nenhum dialogo \u00e9 poss\u00edvel. Essa \u00ab\u00a0guerrinha\u00a0\u00bb, cujo objetivo principal era principalmente politico e n\u00e3o o interesse da na\u00e7\u00e3o, perdurou em todo o per\u00edodo da pandemia e mesmo depois.<\/p>\n<p>Em 15 de abril de 2020, menos de um m\u00eas ap\u00f3s o in\u00edcio da pandemia, n\u00e3o confiando no governo federal, alguns governadores estaduais obtiveram autoriza\u00e7\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (STF) para definir, pelo menos parcialmente, sua pr\u00f3pria estrat\u00e9gia de gest\u00e3o da pandemia [5] [6]. Esta foi uma iniciativa positiva em alguns estados. \u00c9 ineg\u00e1vel que, a partir desse momento, os governadores se tornaram correspons\u00e1veis \u200b\u200bpelo n\u00famero excessivo de mortes nos seus estados.<\/p>\n<p>Mesmo a comunidade cientifica esteve dividida segundo a orienta\u00e7\u00e3o politica. Pedro Hallal, autor do artigo aqui analisado, faz parte dos pesquisadores com vi\u00e9s politico : dezoito meses ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o inicial, Pedro Hallal retorna com uma nova carta, desta vez com um tom muito mais pol\u00edtico e ativista [7].<\/p>\n<p>Este ambiente politico n\u00e3o \u00e9 uma exclusividade brasileira. Aconteceu tamb\u00e9m em outros pa\u00edses, mas parece que trata-se, no Brasil, de um caso extremo.<\/p>\n<p>Finalmente, \u00e9 ineg\u00e1vel que nem todas as decis\u00f5es governamentais foram corretas. Tratava-se de uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia em uma doen\u00e7a inicialmente desconhecida onde o governo deveria tomar decis\u00f5es rapidamente. Isso aconteceu em muitos pa\u00edses, tais como a Fran\u00e7a ou Inglaterra.<\/p>\n<p><strong>Improbidade administrativa<\/strong> &#8211; Uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia como essa \u00e9 a ocasi\u00e3o para que pol\u00edticos pouco escrupulosos tentassem se aproveitar para beneficio pr\u00f3prio, pois compras puderam ser efetuadas sem licita\u00e7\u00e3o. Houve in\u00fameros casos de improbidade relatados pela imprensa. Al\u00e9m do problema \u00e9tico e moral, a improbidade \u00e9 tamb\u00e9m causa de mortes pois equipamentos n\u00e3o foram disponibilizados ou, se foram, foi com um atraso inaceit\u00e1vel.<\/p>\n<p>O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e o Secret\u00e1rio de Sa\u00fade do Rio de Janeiro foram exonerados por irregularidades administrativas na compra de um hospital de campanha e de ventiladores [8] [9].<\/p>\n<p>O Cons\u00f3rcio do Nordeste, grupo de compras que representa os estados do Nordeste brasileiro, encomendou 300 ventiladores sem licita\u00e7\u00e3o de um distribuidor de produtos de Canabidiol (CBD) [10] [11]. O pedido foi pago antecipadamente, no valor de 48 milh\u00f5es de reais. Nenhum ventilador foi entregue e o pagamento antecipado n\u00e3o foi reembolsado. O diretor do cons\u00f3rcio era o governador da Bahia que \u00e9 atualmente ministro no governo Lula.<\/p>\n<p>O governo do estado do Amazonas encomendou ventiladores para COVID-19 de um comerciante de vinhos que n\u00e3o tinha experi\u00eancia com esse tipo de produto. Os ventiladores foram entregues, mas n\u00e3o estavam adaptados para COVID-19 e tinham um superfaturamento de 300% [12] [13].<\/p>\n<h2>Criticas \u00e0 Jair Bolsonaro<\/h2>\n<p>Assim, vejamos as cr\u00edticas dirigidas a Bolsonaro e tentemos identificar outras causas de mortalidade.<\/p>\n<p>Seu apego \u00e0 Hidroxicloroquina e \u00e0 Ivermectina como tratamento precoce &#8211; Ele foi um adepto da proposta do professor franc\u00eas Didier Raoult. Isso foi considerado ser um erro, j\u00e1 que esse medicamento n\u00e3o foi validado cientificamente. N\u00e3o se pode esquecer que, na \u00e9poca, Didier Raoult era um pesquisador com incontest\u00e1vel reputa\u00e7\u00e3o, portanto cred\u00edvel.<\/p>\n<p>Vacina\u00e7\u00e3o &#8211; Bolsonaro era pessoalmente contra a vacina\u00e7\u00e3o e deixou isso claro para os seus apoiadores. Mesmo assim, ele tomou as medidas necess\u00e1rias para disponibilizar a vacina assim que aprovada pela ANVISA, \u00f3rg\u00e3o regulador (17 de janeiro de 2021), antes de v\u00e1rios outros pa\u00edses. Assim as vacinas estiveram dispon\u00edveis para quem quisesse ser vacinado.<\/p>\n<p>Oposi\u00e7\u00e3o ao confinamento estrito \u2014 esta pode ser uma m\u00e1 ideia, mas \u00e9 compreens\u00edvel que Bolsonaro tivesse suas razoes para preferir uma forma flex\u00edvel de confinamento. A taxa de emprego informal (n\u00e3o declarado) gira em torno de 40% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, com aproximadamente 40 milh\u00f5es de pessoas nessa categoria [14][15]. Com um confinamento estrito, essas pessoas acabariam perdendo o emprego e a fonte de sustento, e o Estado n\u00e3o poderia compensar tal n\u00edvel de depend\u00eancia. Um ponto de vista discut\u00edvel, certamente, mas n\u00e3o sem m\u00e9rito. Al\u00e9m disso, esse tema \u00e9 amplamente discutido, por exemplo, em [16] e em suas refer\u00eancias.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar que, dada a postura pol\u00edtica de direita de Bolsonaro, foi a esquerda na Fran\u00e7a que adotou a mesma atitude. Jean-Luc M\u00e9lenchon, l\u00edder do partido La France Insoumise (LFI), op\u00f4s-se \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o por ser baseada em RNA mensageiro. Para justificar sua posi\u00e7\u00e3o, chegou a argumentar: <em>\u00ab\u00a0Tendo vivido por muito tempo no Jura, terra natal de Pasteur, sei o que \u00e9 uma vacina\u00a0\u00bb<\/em> (sic). Fran\u00e7ois Ruffin, membro do LFI, op\u00f4s-se ao confinamento, incitando os franceses a n\u00e3o se submeterem insubmiss\u00e3o, argumentando que o confinamento infringia a liberdade de movimento. No entanto, ningu\u00e9m acusou esses pol\u00edticos de atacar a ci\u00eancia, de <em>\u00ab\u00a0genoc\u00eddio\u00a0\u00bb<\/em> ou de <em>\u00ab\u00a0crimes contra a humanidade\u00a0\u00bb<\/em>, como fez a esquerda brasileira.<\/p>\n<h2>Conclus\u00f5es<\/h2>\n<p>Fizemos, nesta publica\u00e7\u00e3o, uma analise detalhada da publica\u00e7\u00e3o de Pedro Hallal no jornal \u00ab\u00a0The Lancet\u00a0\u00bb, na qual afirma que 75% das mortes de COVID no Brasil poderiam ter sido evitadas e devem ser atribu\u00eddas ao negacionismo do presidente Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>Pedro Hallal cometeu v\u00e1rios erros. O primeiro foi a utiliza\u00e7\u00e3o, em um contexto espacial de um par\u00e2metro interessante em analise local e temporal de uma epidemia. Esta utiliza\u00e7\u00e3o \u00e9, as vezes, poss\u00edvel desde que se tome um certo numero de precau\u00e7\u00f5es para identificar o que \u00e9 comum nos diferentes pa\u00edses, precau\u00e7\u00e3o que o autor n\u00e3o tomou. Demonstramos que a linha de base (referencia de mortalidade global m\u00e9dia) utilizada permitindo avaliar o excesso de mortalidade no Brasil \u00e9 err\u00f4nea. O autor n\u00e3o se deu ao trabalho de identificar e individualizar cada causa de mortalidade no Brasil. De qualquer forma, toda quantifica\u00e7\u00e3o das causas de mortalidade no Brasil \u00e9 imposs\u00edvel pois n\u00e3o existem dados suficientes para tal. Qualquer quantifica\u00e7\u00e3o \u00e9 mera especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fizemos, nesta analise, uma enumera\u00e7\u00e3o sucinta e n\u00e3o exaustiva de poss\u00edveis causas de mortalidade no Brasil, inclusive algumas relevando a possibilidade de improbidade administrativa.<\/p>\n<p>Pode-se afirmar que Bolsonaro, por meio das suas opini\u00f5es, pode ter influenciado os brasileiros e ser respons\u00e1vel por um numero de mortes, mas certamente n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico culpado.<\/p>\n<p>Estamos diante de um exemplo tipico de utiliza\u00e7\u00e3o tendenciosa e abusiva de dados estat\u00edsticos com o objetivo de demonstrar, para fins politicos, uma tese falsa, uma desinforma\u00e7\u00e3o ou, melhor, uma falacia [17]. Um pesquisador experiente n\u00e3o tem como ignorar que esse conte\u00fado \u00e9 falacioso.<\/p>\n<p>Infelizmente, esta <em>\u00ab\u00a0fake news\u00a0\u00bb<\/em> \u00e9 repetida, pela oposi\u00e7\u00e3o a Bolsonaro, sem contesta\u00e7\u00e3o ha mais de cinco anos. Os que a utilizam se referem apenas \u00e0 express\u00e3o : \u00ab\u00a0Segundo especialistas\u00a0\u00bb, sem citar quais especialistas, fonte ou metodologia. Infelizmente, o resultado de um trabalho mais militante que cientifico e que obteve uma difus\u00e3o grande, dando argumentos inadequados para aqueles que desejam <em>\u00ab\u00a0crucificar\u00a0\u00bb<\/em> Bolsonaro.<\/p>\n<hr \/>\n<h2>R\u00e9f\u00e9rences<\/h2>\n<p>[1] Hallal, Pedro C.<strong> <a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lancet\/article\/PIIS0140-6736(21)00141-0\/fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">SOS Brasil &#8211; Science under attack<\/a><\/strong> &#8211; The Lancet, Volume 397, Issue 10272, 373 &#8211; 374. <span class=\"meta-panel__middle-content\"><span class=\"meta-panel__onlineDate\">January 30, 2021<\/span><\/span><\/p>\n<div>[2] Mundt, Adrian &#8211;<strong><a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lancet\/article\/PIIS0140-6736(21)00529-8\/fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Assessing government responsibility for COVID-19 deaths<\/a><\/strong>\u00a0<b>&#8211; <\/b>The Lancet, 2021; 397, 1345<\/div>\n<div><\/div>\n<div>[3] Benitez, Maria Alejandra et all &#8211; <strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S2211883720300861\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Responses to COVID-19 in five Latin American countries<\/a><\/strong> &#8211; Health Policy and Technology, Volume 9, Issue 4, 2020, Pages 525-559,<\/div>\n<p>[4] Worldometers.info &#8211; <a href=\"https:\/\/www.worldometers.info\/coronavirus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Worldometers.info &#8211; Coronavirus<\/strong><\/a><\/p>\n<p>[4a] Brown, D., Dattilo, M. &amp; Rockey, J. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41598-025-92403-z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Explaining international differences in excess mortality due to Covid-19<\/strong><\/a>. <i>Sci Rep<\/i> <b>15<\/b>, 13879 (2025). <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41598-025-92403-z\">https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41598-025-92403-z<\/a><\/p>\n<p>[4b] Karlinsky, A. &amp; Kobak, D. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.7554\/eLife.69336\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Tracking excess mortality across countries during the covid-19 pandemic with the world mortality dataset. <\/strong><\/a><i>eLife<\/i> <b>10<\/b>, e69336 (2021). <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.7554\/eLife.69336\" data-track=\"click_references\" data-track-action=\"external reference\" data-track-value=\"external reference\" data-track-label=\"10.7554\/eLife.69336\">https:\/\/doi.org\/10.7554\/eLife.69336<\/a><\/p>\n<p>{4c] Msemburi, W. et al. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41586-022-05522-2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>The WHO estimates of excess mortality associated with the COVID-19 pandemic<\/strong><\/a>. <i>Nature<\/i> <b>613<\/b>, 130\u2013137 (2023). <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41586-022-05522-2\" data-track=\"click_references\" data-track-action=\"external reference\" data-track-value=\"external reference\" data-track-label=\"10.1038\/s41586-022-05522-2\">https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41586-022-05522-2<\/a> .<\/p>\n<p>[5] STF &#8211; <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/noticias\/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=441447\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>STF reconhece compet\u00eancia concorrente de estados, DF, munic\u00edpios e Uni\u00e3o no combate \u00e0 Covid-19<\/strong><\/a><\/p>\n<p>[6] &#8211; ANESP &#8211;\u00a0<a href=\"https:\/\/anesp.org.br\/todas-as-noticias\/stf-covid-bolsonaro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>O STF realmente tirou o Governo Federal das a\u00e7\u00f5es de combate \u00e0 covid-19?<\/strong> <\/a><\/p>\n<p>[7] Hallal, Pedro C. <strong><a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lancet\/article\/PIIS0140-6736(22)01196-5\/fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">SOS Brazil: democracy under attack<\/a><\/strong> &#8211; The Lancet, Volume 400, Issue 10349, 355, <span class=\"meta-panel__middle-content\"><span class=\"meta-panel__onlineDate\">July 30, 2022<\/span><\/span>.<\/p>\n<p>[8] STJ &#8211; <a href=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Paginas\/Comunicacao\/Noticias\/11022021-Corte-Especial-recebe-denuncia-contra-Wilson-Witzel-por-corrupcao-passiva-e-lavagem-de-dinheiro.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Corte Especial recebe den\u00fancia contra Wilson Witzel por corrup\u00e7\u00e3o passiva e lavagem de dinheiro<\/strong> \u00a0<\/a><\/p>\n<p>[9] g1.globo &#8211; <strong><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/2021\/04\/30\/tribunal-especial-abre-a-sessao-para-decidir-impeachment-de-witzel-1.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tribunal aprova por unanimidade i<\/a><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/politica\/inquerito-sobre-respiradores-na-pandemia-que-tem-ex-ministro-de-lula-como-suspeito-volta-ao-stf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a<\/a><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/2021\/04\/30\/tribunal-especial-abre-a-sessao-para-decidir-impeachment-de-witzel-1.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mpeachment de Witzel, que fica ineleg\u00edvel por 5 anos<\/a><\/strong><\/p>\n<p>[10] Veja &#8211; <strong><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/politica\/inquerito-sobre-respiradores-na-pandemia-que-tem-ex-ministro-de-lula-como-suspeito-volta-ao-stf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Inqu\u00e9rito sobre respiradores na p<\/a><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/politica\/inquerito-sobre-respiradores-na-pandemia-que-tem-ex-ministro-de-lula-como-suspeito-volta-ao-stf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a<\/a><\/strong><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/politica\/inquerito-sobre-respiradores-na-pandemia-que-tem-ex-ministro-de-lula-como-suspeito-volta-ao-stf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>ndemia, que tem ex-ministro de Lula como suspeito, volta ao STF<\/strong><\/a><\/p>\n<p>[11] Poder360 &#8211;\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/poder-justica\/pgr-pede-que-stf-retome-investigacao-sobre-compra-de-respiradores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Procuradoria pede que investiga\u00e7ao sobre Rui Costa volte ao Supremo<\/strong><\/a><\/p>\n<p>[12] Metropoles &#8211; <strong><a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/colunas\/andreza-matais\/governador-que-comprou-respirador-inutil-para-covid-segue-impune\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Governador que comprou respirador in\u00fatil p<\/a><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/politica\/inquerito-sobre-respiradores-na-pandemia-que-tem-ex-ministro-de-lula-como-suspeito-volta-ao-stf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a<\/a><\/strong><a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/colunas\/andreza-matais\/governador-que-comprou-respirador-inutil-para-covid-segue-impune\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>ara covid segue impune<\/strong><\/a><\/p>\n<p>[13] UOL &#8211; \u00a0 <strong><a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/saude\/ultimas-noticias\/redacao\/2020\/04\/20\/amazonas-compra-de-adega-respiradores-inadequados-com-sobrepreco-de-316.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AM compra respiradores &lsquo;inadequados&rsquo; em loja de vinho e paga 316% mais caro&#8230;<\/a><\/strong>\u00a0&#8211;<\/p>\n<p>[14] Estadao Economia : <a href=\"https:\/\/economia.uol.com.br\/noticias\/estadao-conteudo\/2025\/01\/31\/ibge-aponta-que-a-ocupacao-informal-ainda-supera-40-milhoes-no-pais.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>IBGE aponta que a ocupacao informal ainda supera 40 milhoes no pais<\/strong><\/a><\/p>\n<p>[15] IPEA\u00a0 (Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada) &#8211; <strong><a href=\"https:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/retrato\/indicadores\/mercado-de-trabalho\/desemprego-informalidade-subutilizacao-e-inatividade\/apresentacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Desemprego informalidade subutilizacao e inatividad<\/a><a href=\"https:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/retrato\/indicadores\/mercado-de-trabalho\/desemprego-informalidade-subutilizacao-e-inatividade\/apresentacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e<\/a> &#8211; Retrato das desigualdades de g\u00eanero e ra\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>[16] Byttebier, K. (2022). <strong><a href=\"https:\/\/link.springer.com\/chapter\/10.1007\/978-3-030-92901-5_7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Covid-19\u2019s Impact on Labour<\/a><\/strong>. In: Covid-19 and Capitalism. Economic and Financial Law &amp; Policy \u2013 Shifting Insights &amp; Values, vol 7. Springer, Cham. https:\/\/doi.org\/10.1007\/978-3-030-92901-5_7<\/p>\n<p>[17] Best, J. &#8211; <strong><i>Damned lies and statistics &#8211; Untangling numbers from the media, politicians, and activists<\/i><\/strong> &#8211; University of California Press Berkeley &#8211; 2001<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Importante : O objeto deste estudo \u00e9 o examinar a validade da hip\u00f3tese afirmando que Bolsonaro seria culpado por tr\u00eas quartos das mortes por COVID. 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